Alguma História...
Armando Satyro Lizardo
"O benemérito e defensor das causas sociais, Armando Satyro Lizardo (1881-1960) nasceu em Lisboa, sendo filho de coruchense.
Destaca-se também o facto da actual Escola EB23 ser denominada Escola EB2/3 Professor Armando Lizardo
Suspenda-se a Instância para
se proceder a um possível inventário de operadores judiciários que exerceram
as suas funções na Comarca, considerando o facto de aqui terem nascido ou
sido filhos adoptivos de Coruche.
Aqui sentenciava (1891) O Bacharel António Patrício Correia Gomes, Juiz
substituto e bisavô do nosso Colega Dr. Álvaro Correia Gomes.
Em plena República, o Dr. Armando Satyro Lizardo, advogado e abastado
proprietário, exerce uma actividade cultural muito intensa e meritória.
Filho adoptivo, lisboeta por nascimento, e sem descendência, funda o
quinzenário “ O Sorraia” que dirige de 1929 até 1934. Dedica ainda algum do
seu tempo a alinhavar “Apontamentos para a História de Coruche”, como nos
ensina J. Antunes Pinto na sua obra “Coruche e Suas Gentes”. Como penhor,
sem necessidade de ir ao prego, o Dr. Lizardo fez doação de muito do seu
espólio à Câmara de Coruche. O seu retrato, qual personagem queirosiana fina
e delicada, encima a ombreira que dá acesso à sala de leitura e arquivo da
Biblioteca Municipal. Gratas e reconhecidas as autoridades escolares e
municipais atribuíram o seu nome, como patrono da Escola Básica do 3º ciclo
de Coruche.
Mais recentemente cruzámo-nos com o Distinto Notário e advogado Dr. Firmino
Ruivo de Sousa. Era natural do Pego (Abrantes). Com o devido respeito,
ousamos vê-lo como um jurista esforçado nas lides do foro e, sobretudo, nas
minuciosas escrituras. Circunspecto e determinado, qual andarilho
ribatejano, calcorreou aldeias como professor primário, numa primeira fase.
Aproxima-se da urbe imperial a fim de concluir Direito, em 1966. Além de
Procurador do Ministério Público, exerceu funções de inspector da Polícia
Judiciária até 1969. De seguida Ourique “regista-o” como Notário e
Conservador do Registo Civil. Também arranjou tempo para publicar um Código
do Notariado anotado, com 2 edições, dado à estampa pela “Rei dos Livros”,
em 1990 e 1991. Pouco antes de morrer, a 25 de Agosto de 1992, acabara de
colaborar na feitura do “Guia do Cidadão e da Empresa no Imobiliário”,
editado pela Civis. Reformou-se da função pública, sem da reforma, choruda
aliás, se ter gozado. O seu último posto foi o 11º Cartório Notarial de
Lisboa. As funções de Notário de Coruche exercidas pelo Dr. Ruivo forma
continuadas pelo Senhor Dr. Francisco Manuel Bento da Silva Santos. Era por
todos conhecido pelo Chico Manel, que, além de solicitador e advogado
desempenhou as funções de Notário de Coruche. Estas funções prolongaram-se
até ao ano judiciário de 2000/2001. No seu último Verão, vimo-lo cansado e
roído pela doença estender a sua mão monárquica ao ministro socialista Dr.
António Costa, titular da pasta da Justiça, aquando da inauguração do novo
Tribunal de Coruche. Foi a 14 de Setembro de 2001. A 18 de Fevereiro de
2001, centenas de amigos acompanharam-no até à sua última morada. Paz à sua
alma.
Outro Coruchense que desempenhou as funções de Delegado Procurador da
República, cerca de dois anos da década de setenta foi o Dr. Joaquim
Baltazar Pinto, o qual chegou a ser Director Adjunto da Polícia Judiciária,
e Procurador Geral Adjunto.
E, porque a História (ou ficção da realidade ?), não se compadece com a
“brevidade” dita “manjar dos senhores Juizes”, retomemos a memória registada
no “Livro das Tomadas de Posse”. Aí se colhe, que exerceram a Judicatura 38
Meritíssimos, nos últimos 32 anos. A permanência entre efectivos e
substitutos ronda o tempo de uma gravidez sisuda e solitária.
Se a pressa é má conselheira, a morosidade da Justiça não se combate com a
permanência dos senhores Doutores Juizes por lapsos de tempo tão curto nos
tribunais (...).
Não sendo matéria sujeita a segredo e, porque o CEJ (antiga prisão do
Limoeiro) é de produção lenta, vemo-nos na contingência de trazer à
“colação” e a título de “inventário”, - sem ter que desembolsar taxa ou
preparo – a posse do Distinto Advogado e Conservador Dr. António José Lucas
Saraiva. Este colega exerceu funções de Juiz, com 1º substituto, desde Maio
de 1976 a 1989, excepto os anos judiciários de 1982/83 e de 1986. Exerceu,
também, funções de Delegado de Procurador da República Interino nos anos de
1971 e 1973.
Ainda na sequela do 25 de Abril de 1974, registemos o facto do conhecido
médico Coruchense Dr. Fernando Leite Tavares de Rocha ter sido empossado com
3º Juiz Substituto do Juiz de Direito da Comarca. Estava-se em pleno PREC. O
Dr. Rocha presidia à Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Coruche.
Como dizia há dias a Senhora Ministra da Justiça, impõe-se “encaminhar, com
eficiência e rapidez, porque o direito, quando chega tarde, vem sempre a más
horas”...
De relance, antes que se faça tarde e, (na ausência da chave para abrir a
nossa Delegação da O. A.) comparemos: com vistas do Mº Pº, em igual período,
aqui suportaram a Acção Penal acrescida de outras atribuições, 24
Digníssimos Delegados ou Procuradores Adjuntos , na nova terminologia.
Fazemos uma única referência; o Dr. Luís Fernando Rato Ferreira Raposo
representou o Ministério Público em 1982. Nasceu nesta terra e montou banca
de advocacia na vizinha Comarca de Benavente, depois de ter sido professor
na Escola Secundária de Coruche, nos idos de oitenta.