Esta página encontra-se em actualização, devido à sua importância no site, deixamos alguns textos nesta página temporária.

 

 

Alguma História...
 

Armando Satyro Lizardo

"O benemérito e defensor das causas sociais, Armando Satyro Lizardo (1881-1960) nasceu em Lisboa, sendo filho de coruchense.

 
Depois da frequência do liceu e de ter iniciado os preparatórios do curso de medicina, matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e aí obteve a Carta de Bacharel em 1905-1906.
 
Exerceu os cargos de Sub-delegado do Procurador Régio em Almada e, posteriormente, o de Conservador do Registo Predial na Comarca de Aviz.
 
Apesar de ter sido convidado, quer durante a monarquia constitucional quer durante a República, para se filiar em partidos políticos, recusou sempre. Igualmente, não aceitou os cargos públicos que lhe foram oferecidos. No entanto, teve sempre uma activa participação cívica e solidária, que merece destaque.
 
Ao casar com Maria da Natividade Ribeiro Telles, coruchense abastada e possuidora de propriedades urbanas e rústicas, acabou por mudar-se para Coruche e aí dedicar-se à lavoura. Ao ser chamado a participar na Grande Guerra dividiu as terras em foros, vindo assim a contribuir para que muitas pessoas se tornassem pequenos proprietários.
 
Sócio da Sociedade de Geografia de Lisboa e membro vitalício da Cruz Vermelha Portuguesa, veio a ser homenageado por estas duas instituições que o agraciaram com as respectivas medalhas.
 
Em Coruche teve intensa actividade de voluntariado. Foi confrade da Conferência de S. Vicente de Paulo, sócio auxiliar da Associação de Socorros Mútuos, pertenceu à Confraria da Misericórdia, à Irmandade da Nossa Senhora do Castelo e foi ainda sócio da Sociedade de Instrução Coruchense e de diversas instituições de solidariedade e caridade.
 
Fundador e director do Semanário "O Sorraia", que se publicou de 1929 a 1934, escreveu os interessantes Apontamentos para a História do Concelho de Coruche, várias peças de teatro, alguns contos, palestras e efectuou uma recolha de provérbios.
 
Era sua intenção oferecer à Escola de Coruche, logo que estivesse concluída, a sua biblioteca particular, que proporcionaria aos coruchenses um "Gabinete de Leitura".
 
Da sua biblioteca particular vasta e variada perdeu-se, porém, parte significativa em época de cheias. Porém, actualmente, o seu legado é composto por diversas obras que se encontram na Biblioteca Municipal de Coruche numa sala que tem o seu nome."

Destaca-se também o facto da actual Escola EB23 ser denominada Escola EB2/3 Professor Armando Lizardo

 
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
 
Da creação da Comarca de Coruche
 
 
Outubro de 1890. Salazar, de cueiros, não sabia o que eram botas. Em S. Miguel de Ceide, no verde Minho, tão diferente do Dão de Santa Comba, Camilo Castelo Branco suicidava-se. Estava farto da cegueira de tanto escrever e de jardinar, pelas feiras frequentadas, também, por “ Zé do Telhado”, a maioria das vezes a contas com a justiça.
Abílio Guerra Junqueiro, militante que fora com o santareno Guilherme de Azevedo, do conspirativo Cenáculo, ia zurzindo o constitucionalismo serôdio português face à prepotente Inglaterra, no rescaldo do Ultimatum.
Sua Alteza, futura vítima do Costa e do Buíça aquando do regicídio, 32º rei de Portugal, 26 anos, não “exibia nenhum cadastro notório”, no dizer de José Matoso. Pesavam-lhe tanto os anos como os apelidos. Para que constem: Carlos Fernando Luís Maria Victor Manuel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis José Simão de Bragança Sabóia Bourbon Saxe Coburgo Gotha.
Mau grado a viçosa juventude e as fartas caçadas, os sobressaltos não lhe darão descanso. As injustiças e a Justiça não se aquietam. Os do Sorraia não querem ser pleitados nem réus dos de Benavente. Haviam de ter Comarca (...).
Porventura (?), Caetano da Silva Luz, visconde de Coruche, de medalha ao peito, por graça de D. Luís, terá metido uma cunha. Esforços que não foram debalde.
Com a devida vénia ao seu autor, graças à prestimosa colaboração do Sr. João António de Sousa Cortes, actual secretário Judicial do tribunal de Coruche, plagiemos os Autos, constantes do “Livro das Posses” do Tribunal de Coruche.
 
“Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oitocentos e noventa, aos Dez dias do mez de Outubro do Dito anno nesta Villa de Coruche e no Tribunal Judicial de Coruche aonde se achavam presentes o Ex-mo Snr, Dr. Alexandrino Mendes da Costa Fragoso, Juiz de Direito desta Comarca; O Ex-mo Snr. Manoel de Barros da Fonseca Achioli Coutinho, Delegado e eu Escrivão e o meu colega Snr. Jayme de Senna Cunhal; aqui por ele foi dito que tendo o Governo de Sua Majestade havido por bem Decretar a Creação D’esta Comarca por Decreto de Vinte de Setembro último publicado no Diário do Governo Duzentos e Vinte e Quatro.”
 
Advertidos e ajuramentados, perfilando-se à cabeça dos 18 “impossados”, o escrivão António Rodrigues Ribeiro Viegas regista para a História. Faltou à chamada o senhor Contador do Juízo. O combóio não o perdera certamente... Talvez o cavalo lhe tivesse fugido! Tais percalços não impediram o Senhor Juiz Costa Fragoso de ordenar que de imediato se iniciassem os trabalhos com Vistas do Meretíssimo Juiz Delegado do Procurador Régio, o Ex-mo Sr. Dr. Manoel de Barros da Fonseca Achioli Coutinho.
 

Suspenda-se a Instância para se proceder a um possível inventário de operadores judiciários que exerceram as suas funções na Comarca, considerando o facto de aqui terem nascido ou sido filhos adoptivos de Coruche.
Aqui sentenciava (1891) O Bacharel António Patrício Correia Gomes, Juiz substituto e bisavô do nosso Colega Dr. Álvaro Correia Gomes.
Em plena República, o Dr. Armando Satyro Lizardo, advogado e abastado proprietário, exerce uma actividade cultural muito intensa e meritória. Filho adoptivo, lisboeta por nascimento, e sem descendência, funda o quinzenário “ O Sorraia” que dirige de 1929 até 1934. Dedica ainda algum do seu tempo a alinhavar “Apontamentos para a História de Coruche”, como nos ensina J. Antunes Pinto na sua obra “Coruche e Suas Gentes”. Como penhor, sem necessidade de ir ao prego, o Dr. Lizardo fez doação de muito do seu espólio à Câmara de Coruche. O seu retrato, qual personagem queirosiana fina e delicada, encima a ombreira que dá acesso à sala de leitura e arquivo da Biblioteca Municipal. Gratas e reconhecidas as autoridades escolares e municipais atribuíram o seu nome, como patrono da Escola Básica do 3º ciclo de Coruche.
Mais recentemente cruzámo-nos com o Distinto Notário e advogado Dr. Firmino Ruivo de Sousa. Era natural do Pego (Abrantes). Com o devido respeito, ousamos vê-lo como um jurista esforçado nas lides do foro e, sobretudo, nas minuciosas escrituras. Circunspecto e determinado, qual andarilho ribatejano, calcorreou aldeias como professor primário, numa primeira fase. Aproxima-se da urbe imperial a fim de concluir Direito, em 1966. Além de Procurador do Ministério Público, exerceu funções de inspector da Polícia Judiciária até 1969. De seguida Ourique “regista-o” como Notário e Conservador do Registo Civil. Também arranjou tempo para publicar um Código do Notariado anotado, com 2 edições, dado à estampa pela “Rei dos Livros”, em 1990 e 1991. Pouco antes de morrer, a 25 de Agosto de 1992, acabara de colaborar na feitura do “Guia do Cidadão e da Empresa no Imobiliário”, editado pela Civis. Reformou-se da função pública, sem da reforma, choruda aliás, se ter gozado. O seu último posto foi o 11º Cartório Notarial de Lisboa. As funções de Notário de Coruche exercidas pelo Dr. Ruivo forma continuadas pelo Senhor Dr. Francisco Manuel Bento da Silva Santos. Era por todos conhecido pelo Chico Manel, que, além de solicitador e advogado desempenhou as funções de Notário de Coruche. Estas funções prolongaram-se até ao ano judiciário de 2000/2001. No seu último Verão, vimo-lo cansado e roído pela doença estender a sua mão monárquica ao ministro socialista Dr. António Costa, titular da pasta da Justiça, aquando da inauguração do novo Tribunal de Coruche. Foi a 14 de Setembro de 2001. A 18 de Fevereiro de 2001, centenas de amigos acompanharam-no até à sua última morada. Paz à sua alma.
Outro Coruchense que desempenhou as funções de Delegado Procurador da República, cerca de dois anos da década de setenta foi o Dr. Joaquim Baltazar Pinto, o qual chegou a ser Director Adjunto da Polícia Judiciária, e Procurador Geral Adjunto.
E, porque a História (ou ficção da realidade ?), não se compadece com a “brevidade” dita “manjar dos senhores Juizes”, retomemos a memória registada no “Livro das Tomadas de Posse”. Aí se colhe, que exerceram a Judicatura 38 Meritíssimos, nos últimos 32 anos. A permanência entre efectivos e substitutos ronda o tempo de uma gravidez sisuda e solitária.
Se a pressa é má conselheira, a morosidade da Justiça não se combate com a permanência dos senhores Doutores Juizes por lapsos de tempo tão curto nos tribunais (...).
Não sendo matéria sujeita a segredo e, porque o CEJ (antiga prisão do Limoeiro) é de produção lenta, vemo-nos na contingência de trazer à “colação” e a título de “inventário”, - sem ter que desembolsar taxa ou preparo – a posse do Distinto Advogado e Conservador Dr. António José Lucas Saraiva. Este colega exerceu funções de Juiz, com 1º substituto, desde Maio de 1976 a 1989, excepto os anos judiciários de 1982/83 e de 1986. Exerceu, também, funções de Delegado de Procurador da República Interino nos anos de 1971 e 1973.
Ainda na sequela do 25 de Abril de 1974, registemos o facto do conhecido médico Coruchense Dr. Fernando Leite Tavares de Rocha ter sido empossado com 3º Juiz Substituto do Juiz de Direito da Comarca. Estava-se em pleno PREC. O Dr. Rocha presidia à Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Coruche.
Como dizia há dias a Senhora Ministra da Justiça, impõe-se “encaminhar, com eficiência e rapidez, porque o direito, quando chega tarde, vem sempre a más horas”...
De relance, antes que se faça tarde e, (na ausência da chave para abrir a nossa Delegação da O. A.) comparemos: com vistas do Mº Pº, em igual período, aqui suportaram a Acção Penal acrescida de outras atribuições, 24 Digníssimos Delegados ou Procuradores Adjuntos , na nova terminologia. Fazemos uma única referência; o Dr. Luís Fernando Rato Ferreira Raposo representou o Ministério Público em 1982. Nasceu nesta terra e montou banca de advocacia na vizinha Comarca de Benavente, depois de ter sido professor na Escola Secundária de Coruche, nos idos de oitenta.

 

A instalação da delegação concelhia da o. a. na comarca
 
Neófita e estagiária, pouco sabe para alegar. Pelo facto não há muito a requerer para os Autos. Por ela e, para que conste, fomos testemunhas do seu baptismo laico. Fez em Março 5 anos. Apadrinharam-na na PI os abnegados Advogados e Distintos Colegas Dr. Madeira Lopes e a Dr.ª Ana Martinho do Rosário.
Graças à Junta de Freguesia teve os seus primeiros 10 m² a igual distância dos símbolos das duas justiças: Uma, apontada ao Céu, por interposição de Nª Sr.ª do Castelo. A outra, do lado oposto, estava simbolizada pelo pelourinho régio, hoje solitário e triste, dada a falta de supliciados.
Integraram a primeira Delegação eleita as distintas advogadas Isabel Martins, Carmen Nunes e Manuela Espadinha. Como testemunha do acto compareceu o ilustre causídico Dr. Carlos Raposo do Amaral, filho da terra e na qualidade de representante da O. A. Como actuais representantes figuram os ilustres colegas Drª.s Manuela Espadinha, Susete Faustino e Artur Salgado.
Sendo vinte os apelidos de Sua Alteza e Patrono D. Carlos I, decerto que não se importará o Senhor Conservador Dr. Saraiva de lhe “prantarmos” aqui os nomes dos 12 Apóstolos do Foro, inscritos pela Comarca e que se notificam na qualidade de ilustres mandatários: António José Rosa; Artur Salgado; Carmen Nunes; Eduardo Ascenção; Fernanda Ferreira; Ilda Esperança; Isabel Martins; Manuel Farola; Manuela Espadinha; Marlene Mendes; Susete Faustino e Margarida Chagas.
Manifestando-se a procuradoria ilícita devoradora e desenvergonhada, impõe-se o unir de esforços no combate a tal praga ou continuamos a este desfile carnavalesco do nacional porreirismo em que cada um faz o que quer e bem lhe aprouver... Nem que para tal tenhamos que pedir socorro ao Sr. Solicitador Mário Frei Boeiro, hoje Presidente da Junta de Freguesia da capital do Sorraia. Se , em alternativa, pensarem mudar de vida ou de “ramo”, não se esqueçam de requerer a devida licença ao Distinto Colega Dr. Júlio Arrais, com a sua inscrição suspensa, em virtude do exercício das suas funções de Vereador na Câmara Municipal com o respectivo Pelouro.
 
Pela Delegação
Artur Salgado
Manuela Espadinha